sexta-feira, setembro 07, 2007

DESFEZ E SE FOI

Às vezes, consigo. O segredo é treinar...
Estou quase dominando o aprendizado de uma mágica.
Transformo o que me faz mal em pétalas de dente-de-leão.
E a primeira brisa que passa, eu chamo de amiga...

CRESCER UM POUCO MAIS


É...
Crescer.
Sempre sinto isso.
Tudo vai ficando maior:
As dores, as responsabilidades...
Pra refletir e ilustrar isso tudo, tento fazer
Uma obra escrita qualquer feita em crescente.
Com as suas frases ficando cada vez maiores e maiores...
Sem me esquecer do principal: o que sinto e quero dizer a vocês.
Sinto-me crescendo, amadurecendo a cada linha que eu deixo pra trás.
Ou a cada vez que tenho que virar a página e continuar a seguir adiante sem fim.
Sem olvidar o frescor do orvalho que vem banhar a noite de quem agora só quer acordar.

O PURO GOSTO DA MISTURA

Um lamento entre o sussuro que deixa tudo mais bonito e essa luz do Sol se pondo, que nos faz imaginar o quanto até ele mesmo já sente saudades por antecipação e chora raios laranja...
Sabor de uma saudade, que sinto desde que nasci, de ver o Sol dos dias anteriores.
E que encontro agora, misturada a outros gostos.
Naturalmente, as substâncias puras são raras.
Tudo misturado, como num bolo, pra dar mais gosto.
O gosto de ser o que a gente quiser e o que a gente sempre quis...
Incluindo o gosto da leve felicidade de saber que a Lua se aproxima, calma.
Por um momento, tudo flutua. Lua, poesia, música, são todas coisas do ar...
E, em breve, eu já saberei tocar violão! A Lua que me aguarde...

UM ABSURDO SIMPLES

Algumas gotas de fogo caem do céu suavemente sobre meus ombros. Súbito calor, após a leve garoa que não deveria cair nas terras de aqui.
Eu passeio na rua, enquanto o pequeno grupo passa. Todos muito jovens, daqueles que ainda não tiveram tempo de conhecer a crueldade da vida. Ao menos, a maioria quando os vêem assim o pensa. Vai-se lá saber o que cada coração já teve que suportar e quanto peso o travesseiro de cada um teve que suportar...
A luz do poste mal ilumina a rua e só é possível enxergar alguém na aproximação...
Eu olho pra trás, tentando me contaminar com um pouco de inocência (e esqueço o quanto esse esforço é em vão, pois não se pode fingir essa ingenuidade...).
Volto os meus olhos pra frente novamente, de sobressalto. Respiração interrompida pelo leve espanto que toma minha face. Olho mais uma vez, sem acreditar, e vejo bem que na verdade, são 11 velhinhos!
Meus Deus! Eles sorriem! Tudo é mesmo um absurdo!

quinta-feira, setembro 06, 2007

COMO ESCAPAR DO CLICO?

O buraco. O vazio. O oco. O vácuo. O nada. A falta. A negação. A ausência.
Subitamente, uma lágrima. Sem explicação. Nervos à flor da pele. Silêncio.
Ruas sujas de uma cidade limpa. Luz insuportável de uma noite escura.
Vou dormir, então. Acordo, bem depois, e quero adormecer. Sem mais acordar.
O buraco. O vazio. O oco. O vácuo. O nada. A falta. A negação. A ausência.
Subitamente, uma lágrima. Sem explicação. Nervos à flor da pele. Silêncio.
Ruas sujas de uma cidade limpa. Escuro insuportável insuportável de um dia claro.
Trabalho bom pra encher a cabeça, enquanto as horas passam por mim, graças a Deus.
Até me encontrar em frente ao espelho, mais uma vez.
O buraco. O vazio. O oco. O vácuo. O nada. A falta. A negação. A ausência.
Subitamente, uma lágrima. Sem explicação. Nervos à flor da pele. Silêncio.
Ruas sujas de uma cidade limpa. Luz insuportável de uma noite escura.
Gosto maculado de uma bebida já engolida, às pressas de matar uma sede
que nunca se sacia... Uma cara mais amistosa pra aplacar represálias num
convívio... Uma tela que brilha e um gosto de não querer nenhum gosto.
Novamente vem e vai... E vem, de novo...
O buraco. O vazio. O oco. O vácuo. O nada. A falta. A negação. A ausência.
Subitamente, uma lágrima. Sem explicação. Nervos à flor da pele. Silêncio.
Ruas sujas de uma cidade limpa. Luz insuportável de uma noite escura.
Uma conversa de espinhos, sem querer machucar ninguém.
Eu, quase nu, tentando me enxergar.
Mas, de repente,
um abraço.
O universo se expande,
como no Big Bang!
E, eu sei, o começo do universo foi assim. Num abraço, numa escada, num calor de aconchegantes 18 graus, sob as gotas finas de uma pausa entre o agora e o depois...

domingo, agosto 26, 2007

A VERDADE SOBRE A VERDADE (OU A FALTA DELA)

Já escrevi isto aqui, mas não custa relembrar: algumas coisas são só literatura... Nada a ver com a realidade. Verdade é verdade, blog é blog. Às vezes, as coisas se encontram, mas não necessariamente... Então, como saber?
Vem viver ao meu lado...

UMA NOITE DE LUZ

Só pra me lembrar do que há dentro de mim, eu me perco por aí dissolvido em olhar de suave bem querer que fica ao meu lado todo tempo. A canção me faz concordar: não sou muito normal, não é?
Saio então nas ruas mais uma vez e, num risco, o céu se abre em pequenas chuvas prateadas, como se a vida quisesse me engolir... Sentimentos estranhos se alternam, sem eu saber porque... E encontro na praça uma fada e um irmão.
A noite se vai devagar, me fazendo acreditar que é fácil ser feliz. E termina na confirmação de um carro, um momento de olhar com calma pra dentro, faíscas e sussuros e um encontro com aquele garotinho que eu era e pensei que havia crescido, ou que havia se perdido nos labirintos da minha alma, mas ainda está dentro de mim me fazendo feliz como só as crianças são...
Uma chave para a febre, um remédio para abrir minhas portas de luz.

sexta-feira, agosto 17, 2007

PRINCESA DOURADA

Faltou dizer sobre você, não é? É que eu não achava um texto à altura, mas hoje eu posso escrever: Ah, loura! Se eu fosse pintor, seria um belo retrato...
O quanto ilumina o caminho de quem passa... O quanto eu fico observando, ao longe, o seu sucesso... O quanto eu torço em segredo por sua felicidade e fico feliz que você parece estar bem e com o coração cheio do que há de melhor...
Você me faz pensar, algumas vezes, o quanto eu pensava como você pensa: vivia e tinha um pouco de receio de fazer algumas coisas (ou deixar de fazer) com medo da condenação... Não é por ele em si, mas pelos outros, pelas pessoas que você gosta que você se nega... Um amor aos outros, como hoje é raro se ter... Sonhos de menina, dessas que não existem mais, cheirando a uma doce ilusão de um "tem que ser assim, senão foi culpa minha...".
O quanto o seu coração puro encanta o que há ao redor: tudo tem mais vida assim... O quanto você é alegre e tras luz para os olhos de quem te acompanha em noites que terminam com uma música, um porta malas aberto e um amanhecer ainda bêbado...
Saiba que há muito habita o meu jardim interior, onde cada flor é única pelo simples cativar.

domingo, agosto 12, 2007

CINCO AMIGOS


Um dia muito longo, cheio de dúvidas, incertezas, prazeres, risadas, amigos e uma união como, enfim, não havia há muito tempo... Uma palavra criada, pizza no almoço, cansaço depois de tudo... Um sexto amigo? Acho que posso dizer assim, ao menos nesses afazeres de doze horas seguidas e abraços sinceros ao final... Agora, que a primeira parte já se acabou, posso me dizer preparado para dormir o sono dos justos...

FRANCISCO NOS ENSINOU

Mais a ele que a mim, mas Francisco nos ensinou o amor incondicional, a igualdade entre todas as formas de vida e mil coisas que não se escreve em lugar algum por ser claro só de olhar... E eu fico a olhar os três nós no cordão do amuleto Tao que querem lembrar o caminho a seguir... Separados por dedos, goles de Savassi e registros de sons, imagino que as roupas são sempre analisadas, de uma forma sutil, em meio à Arquitetos e Modernos numa casa que já foi minha (e de muitos outros) no passado... Os cabelos mudam de cor e de corte, conforme já dizia a alma artista de Francisco: “reconstrua a catedral”... Vem à mente o latim e tantas coisas que passam despercebidas numa simples visita de 15 minutos entre o prédio clássico dessa terra e o ponto de ônibus... Vejo, então, a areia escapar pelos dedos da mão e a vida caprichar comigo, como sempre faz. E, por isso, um dia pude acordar e (re)descobrir-me em velhas novas palavras, também ensinadas por Francisco: caridar, saudades, sededevida, grandeamigo...

DAS PALAVRAS OMITIDAS

Reconheço certas inutildades: tudo que eu iria escrever, meu olhar no escuro te disse... E o que todos tentam nomear, ainda não tem nome, não é? Mas com certeza essa é a palavra maior, pois cabe nos menores espaços dos meus poros, sem, mesmo assim, se fazer soar e entender... Palavras inúteis então? Sei lá... De todas elas, acho que só ficou um gosto na boca de uma palavra que nunca termina: saudades... Mas, às vezes, cansado, só preciso de um pouco de sono... Amanhã é outro dia...

segunda-feira, agosto 06, 2007

REAL SUBVERSÃO


Nada incomoda tanto o inimigo, nada perturba mais o invejoso, nada tira tanto do sério aquele que tem o mal em seu coração, nada tira o sono de quem não sabe ver a felicidade dos outros, nada é tão dolorido de ver que a alegria alheia...


Aqueles que desejaram a alegria, sempre foram culpados...
Meus caros, a alegria sempre foi a real subversão...

AMOR, SEGUNDO UM DICIONÁRIO

O peso é sempre leve,
a estrada sempre te deixa além,
os dias te conduzem ao futuro,
e a gravidade sempre te liberta.

As cores sempre se mostram,
o muro nunca é barreira,
o doce é sempre mais saboroso,
e o vento sopra a favor.

A prisão é sempre voluntária,
a dor é sempre uma amiga bem-vinda,
o fogo vem adoravelmente te carbonizar
e quem é que liga pra isso?

Os dias passam mais rápido,
o tempo é sempre desperdiçado,
a vida escapa veloz pelos dedos,
e eu nunca fui tão feliz assim!