terça-feira, março 03, 2009

TANCREDO

Vi seu olhar procurando o meu.
E percebi que algo mudou em mim.
Fui ao teu encontro, mas foi pouco.
Depois, o véu caiu de meus olhos.
Agora sei quem sou. Quem quero ser.
Entendi meu nome.
Entendi meus dons e porque os tenho.
Entendi o que buscava em mim mesmo.
Agora quero rumar nesta direção,
donde meus olhos se satisfazem de luz.

AMOR PATERNO

Em tuas mãos, sou seus dedos presentes e ausentes.
A semelhança me repele e me atrai.
Me faz mal com boas intençoes...
Me faz bem sem saber...
Meu herói, meu vilão.
Já me salvou e já me condenou à morte.
Me fez chorar de dor e de alegria.
Já me fez rir por graça ou por nervoso.
Se esconde na própra sombra.
Se revela na própria luz.
Deu-me a vida, a comida, a palavra, o castigo.
Me apoia.
Me sufoca.
Sem modelos, se inventa;
O que, de agora em diante, é o que vou fazer.

domingo, janeiro 25, 2009

JOGO DOS SETE ERREOS


Decifra-me ou ignoro..
E algo devia estar aqui..

MEU CALOR

Vou dançar com a chama do teu isqueiro,
pois num afago, começa o ritual.
Sacrifício do recalque, para que nasça o homem sacana,
o homem vontade, liberto de si.
Sem perder a ternura, forte.
E bailar contigo, pra fazer chover em ti.
Num frenesi louco de arrancar suspiros.
De sentir tua pele macia retalhando a minha pele rude.
De sentir minha barba contornar tuas curvas.
De meu lábio saciar em teus lábios.
Minhas mãos agora são o teu lar.
E me afogo em teus seios,
nos teus beijos, na malícia de sua língua...
Eu sou o gás, você é a faísca.
Deixa eu apagar o incêndio com um pouco de gasolina.
Fazer a Lua crescer, até o Sol raiar.
Deixar a insanidade nos guiar, profana.
Num jogo de olhos, língua, dedos e o que mais for.
E num roupante crescente, quase te engolir.
O teu gosto é todo meu.
Até o tremor do deleite ser teu e meu.
Até a fisionomia mudar. Satisfeita.

2010 (OU NÃO...)

Por enquanto, Pedro só vai sobre a linha do trem...

LEIA-ME

Num relance, numa troca de olhares,
num gesto banal,
numa palavra dita, numa outra que foi omitida,
num ritual diário de café da manhã.
Num instante tal,
em que cabe apenas eu e você,
você faz leitura dinâmica de mim.

sábado, janeiro 17, 2009

QUEM ME VÊ

Serenar

daqui pra frente.

Peço a Deus,

Oxalá e Xangô.

Pra voltar

a ser forte.

Assim.

Sou eu.

SURPRESA MATINAL

Ele acordou, lavou o rosto, trocou de roupa. Era uma manhã, como todas as outras são num dia de semana.
Foi para cozinha, colocou o pó no filtro de papel e a água para ferver. Pegou um pedaço de pão com margarina. Antes de comer, lembrou-se de pegar os documentos na gaveta para levar à moça do departamento pessoal. Assim, o aumento cairia mais depressa na sua conta. Guardou tudo num envelope e este na mochila.
Finalmente tomou um gole do café. De repente, sentiu uma calma única. Tão boa que até deixou a xícara na pia por isntantes. O dia parecia tranquilo, muito calmo mesmo. Nunca sua alma repousara tanto. Parecia que os gritos de suas dores que lhe atormentavam dentro da própria cabeça se fizeram silenciar. Curtiu o silêncio por algum tempo de olhos fechados.
Depois, resolveu ir e não se atrasar.
Quando abriu o portão de casa, percebeu que a rua estava estranhamente calma. Foi então que a cabeça girou, vertigem de surpresa, quando percebeu tudo:
Não era calma. Estava surdo!

FOME DE QUÊ?

Acordar,
nadar,
ver novela,
ver amigos,
chover juntos.
Alimento-me.

METAS

Se Deus quiser,
me encontro
na próxima esquina.

MEU REINO

Minha guarda.
Meu chão.
Minha fortaleza.
Meu refúgio.
Minha paz.
Paira, agora,
nas minhas mãos.
Minhas terras
são mais minhas.
E, depois de tanta guerra,
entendo porque
gosto de estar
cada vez mais
no meu lar.
Em mim.

PESADO

Quase tudo morre,
nas veias da cidade.
Eu me via
por aí.

OUTRA VEZ VOCÊ

Você nem existe de fato.
Ou, quem sabe, sim.
Meu herói.
Meu vilão.