sábado, maio 08, 2010

MÉLA REV


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PARQUE DO ARREBOL


__Vejoooooooooooooo_
_booooooooooolas de_
____sabãoooooooooo__
__subindoooooo______
__nooooo__ventooooo_
_____rumooooooooo___
_aooooooooo_________
_____soool__________

PALÍNDROMO


O aval é ágil. Liga e lava-o.

TODOS OS SANTOS


São jorge afundou meu barco.
Ogum cuspiu no prato em que eu comia.
Sheila debochou das minhas palavras.
Uriel atirou 7 pedras em mim.
Tupã bateu com um porrete na minha cabeça.
Diana abafou minha voz nascente.
Kiam lançou sobre mim uma maldição.
Mas o que mais doeu foi quando
eu mesmo resolvi me machucar.

VOGAIS


-Ah, é?
- Ô...
-Uai... Óia aí!
-Ih!!! É uó!
-Uh!...

quinta-feira, maio 06, 2010

FONTE DOS DESEJOS


É só um palito de fósforo.
Aproveito o seu calor.
A água goteja no copo.
Bebo com satisfação.
É pouco, mas é o que brota da nascente.
Gloria in excelsis Deo.

sábado, maio 01, 2010

VISTA VERMELHA


O metrô é um lugar feito para os flertes. Os bancos ficam em posições em que é quase impossível que todo mundo não se olhe.
E foi assim que eu a vi. Linda. Usava um vestido bem justo, todo de vermelho. Os cabelos ruivos, soltos.
Era impossível não notar que ela estava com um sorriso diferente. Nunca tinha pousado meu olhar nela, mas aquele sorriso era diferente de todos os que eu já havia visto.
Ela se levantou para desembarcar numa estação antes da minha. Não titubiei e saltei do trem ali também. Corri para alcança-la no meio da multidão que subia as escadas daquela estação. Dei três tapinhas de leve em seu ombro direito. Ela parou, se virou e me olhou com um jeito enigmático.
Perguntei:
- Por acaso você não é a irmã da Janete?
Inventei o nome na hora, só para puxar papo mesmo.
- Não, não tenho nenhuma irmã... Mas você é o Adão, certo?
Como ela sabia meu nome? Seu rosto não me era familiar. Eu, como um bom fisionomista, me lembraria, caso houvéssemos cruzado o caminho um do outro... Respondi, surpreso:
- Sim, sou eu...
- Ah, pois é... Tenho algo pra você...
Fiquei muito intrigado com tudo aquilo. Ela procurava algo dentro da bolsa e me entregou dizendo:
- Pegue!
Era uma maçã. Dito isto, ela virou as costas e saiu andando sedutoramente, enquanto eu, maquinalmente, olhava-a com assombro e mordia o fruto que estava em minha mão.

quinta-feira, abril 22, 2010

COMPLETE...


Eu pensei que...
Por isso decidi que...
A palavra mais doce, enfim é...

CAÇA PALAVRAS


POUCOADIANTOUACENDERCIGARROSFALARPALAVRAOPERDEREU
BEMQUESEQUISDEPOISDETUDOAINDASERFELIZMASJANAOHAJA
EUQUISPLANTARMINHACANCAOILUMINADADEMASASPESSOASNA
CONTAPRAMIMOQUETEFEZCHORARNUNCAMAISQUEROTEVERMAIS
TRSITEZANAOTEMFIMFELICIDADESIMFELICIDADENAOTEMFIM
POSSOESTARSOMASSOUDETODOMUNDOPOREUSERSOUMANEGARSO
TUDONAMAISPERFEITAORDEMTUDONAMAISSANTAPAZSANTAPAZ
UMNOVOTEMPOAPESARDOSCASTIGOSESTAMOSCRESCIDOS1NOVO
APESARDEVOCEAMANHAHADESEROUTRODIAAPESARDEVOCESERA
PRESENTEMENTEEUPOSSOMECONSIDERARUMSUJEITODESORTE!
EHOJEODIADAALEGRIAEATRISTEZANEMPODEPENSAREMCHEGAR
DIGAESPELHOMEUSEHANAAVENIDAALGUEMMAISFELIZQUEEUEU

NÃO OUÇA, NÃO CALE


Eu e minha densidade,
que varia como as luzes no céu,
somos incompreensíveis e imponderáveis.
As vozes que me massacram
fervilham por aí.
Tentar me entender? Pra quê?
Não é pra me ajudar, isso eu sei!
Aliás, não estou mendigando compaixão.
Estou muito bem onde estou.
Espero que a distância se mantenha,
se não for sincera a mão estendida.
Não quero ter mais amigos.
Basta-me as antigas companhias,
ainda que ausentes...
Para alguns, só mesmo a poeira...
Se me faço pesado, caio em pústulas.
Se fico leve, flutuo em cântigos.
As minhas chagas são tão minhas,
deixe estar!
Minhas alegrias são tão nítidas,
veja só!
E só veja.
Leve o punhado que conseguir carregar.
Mas não me tome o que é meu.
Não entre na porta cerrada.
Se o ar fica mais pesado,
não queira me acariciar.
Não preciso de piedade.
Não sou alimento para sua infantil vontade.
Não estou no papel de te ensinar.
E chega de leviandade.
Não leve recado.
Não tire o recado de onde não tem.
Isso é só um aviso.
Uma explosão contida.
Uma batida de asas de borboleta.
Um encontro casual no domingo.
Uma fuga do porão em disparada.
Uma bola de sabão que se esmigalha.
Uma lâmina que se enferruja guardada.
Um tijolo esquecido no quintal.
Um riso sarcástico de fada.
Uma roupa de plumas de pavão.
Um rosto que foge do retrato.
Uma gaita desafinada.
Um inimigo invisível autocriado.
Um cortejo de um pássaro ferido.
Uma lástima derramada...
Um exagero desnecessário.
Um sim dito em resposta ao não.
Um nada de muitas palavras.

quinta-feira, abril 15, 2010

TÃO ANTIGO QUANTO ATUAL


Ela acordou atrasada para o trabalho e logo no primeiro dia! Saiu da câmara de regeneração, trocou de roupa e foi tomar a primeira refeição do dia numa lanchonete no caminho, porque o sistema operacional de sua cozinha estava com um vírus desde a semana passada.
Pegou um aerotáxi para chegar à tempo. Aportou na recepção em cima da hora e foi conduzida ao setor de cadastro biométrico para ter acesso às portas que a levariam ao seu setor. Após o cadastro e passar por várias portas, chegou à sala de pesquisa e criação. Calçou as luvas e colocou os óculos de imersão do ambiente de criação virtual interativo e foi apresentada à equipe de trabalho.
Ela era uma nanoengenheira de microchips recém formada que estava feliz em conseguir seu primeiro emprego.
Um rapaz da equipe lhe chamou a atenção. Era jovem, também recém formado e estava na equipe havia dois meses apenas. Ele tinha um semblante muito triste. Não tinha a energia característica de quem começa uma carreira que lhe agrada.
O expediente de trabalho correu tranquilamente. No último intervalo, ela se aproximou dele na sala de descanço e revigoramento cerebral. Ele estava deitado na maca biomagnética de olhos fechados. Com um certo receio, ela resolvou deitar-se na maca biomagnética ao lado e puxar um papo.
- O dia de trabalho é sempre agitado assim?
- Não. Hoje é segunda-feira e por isso é mais corrido.
- Você é recém formado também certo? Onde estudava?
- No Centro de Estudos Virtuais de Belo Horizonte.
- Sério? Meu irmão mais velho estudou lá também!
Em pouco tempo ficaram amigos. As semanas correram e ele sempre com aquele semblante triste. Até que, numa conversa na sala de descanso e revigoramento cerebral, ela perguntou:
- Bom, sei que não é da minha conta, mas desde que entrei aqui, achei você um pouco triste... É algo em que posso ajudar?
- Oh, desculpe. Está tão evidente assim? Eu não queria...
- Não se preocupe. Só perguntei porque pensei que uma conversa poderia lhe fazer bem...
- Ah, não se preocupe! É só o fim de um relacionamento. Vai passar...
- Tudo bem, se quiser falar, estou aqui!
- Obrigado!
Neste dia, ele foi para casa mais aliviado por se sentir amparado no mundo. Ela foi mais tranquila por saber que tinha um amigo com quem dividir os pesos desses tempos modernos.

sábado, abril 10, 2010

A COR DO INVERNO


O frio vem chegando e me traz lembranças diversas.
Lembro-me de coisas diferentes de quando eu paro pra pensar
nas minhas lembranças de inverno.
Eu estou diferente também.
Sinto que o frio não vem contra mim.
Sinto a minha pele buscar abrigo no agasalho.
Sinto que as folhas não caem mais porque a vida morre.
Sinto que é uma forma das árvores enfeitarem o chão.
Como se fosse uma primavera de cores pálidas.
Como se a alegria estivesse mais contida.
Porém ela está aqui!

POR UM DETALHE


Nós todos somos tão iguais.
Nossa diferença é muito sutil.
Uma vírgula no meio de tanto a se dizer.
- Não, mais!!!
- Não mais!!!