domingo, junho 17, 2007

O ENCONTRO COM O ENCONTRO

É só de luz agora... Eu todo, de ponta a ponta. Desde o calo do dedão, até a última caspa sob a cabeça raspada... Só falta agora me ver por dentro, que as víceras pedem um gole dessa sede que me faz seguir...
E eu me vi, em algum lugar aqui de novo...

segunda-feira, junho 11, 2007

PEDIDO

Para não cair, só peço o que não é preciso suplicar:
Sossego, solidão e essa mão que ainda posso segurar...

domingo, junho 10, 2007

TRANSPARECER

Ver através do véu... O que se mostra e se esconde.... Meu coração! Stá aqui... Pra vc.... ver o que quiser: amigos, família, uma falta de paz passageira... Eu lá no fundo, como um vulto, sem saber o que se passa ao certo...
E os especialista enxergam além dos limites físicos dos instrumentos de visão. Eis a "sindrome do arredondamento" turvando a verdade mais uma vez... O que é meu, eu sei primeiro. E se ainda não sei, é porque ainda não stá certo, não é concreto, não se revelou por completo. Penumbra pra mim e para o mundo.
Mas não há o que se esconder. Os nós já foram desatados... Agora é só o véu, que é a névoa que paira sobre o meu refazer, reconstruir.
No meio da fumaça, eu só espero ver os amigos... De verdade!

PRA QUANDO O MAR ACALMAR

Se o porto machuca e não é seguro, o alto mar assusta, a praia sofre com as ondas da ressaca, se a tempestade impede o sol de encontrar e beijar o mar no horizonte, se os corais só querem afundar os destemidos, se as gaivotas gritam como abutres agora...
- Aaaaaaaahhhhhh!
Deixa que o eco do teu grito (do som que também é onda) combata a briga por ti. Entenda que nem sempre se ganha e que há dias em que não se pode navegar...
Ir contra a corrente, nem sempre. Que, às vezes, o barco só precisa de reparos pra não afundar...
Um canoa some no horizonte...

sexta-feira, junho 01, 2007

AMOR SECRETO


Mecanicamente...:
- Olá! Como vai?
Só pra dizer o que querem ouvir:
- Tudo bem e você?
(reticências, as mais curtas possíveis...)
-Depois a gente se vê!
- Não some não, ok?
E fim;

Um novo começo:
- Olá! Saudade de você... Como é que está esse seu coração?
- Muito bem! Você não sabe como estou feliz! Estou radiantemente feliz! Aquela felicidade que não dá pra exprimir em palavras e que não se conta pra qualquer um, sabe? Pois é...
- Que bom! É muito bom ouvi vc dizer isso...
(reticências, que até podem ser curtas, porém intensas...)
- Então beijos, vai com Deus!
- Pra você também.

A vida pode ser dita com palavras parecidas, mas algumas podem ser muito mais intensas... E eu digo intensamente: ESTOU FELIZ! Porque estou apaixonado!!! Por uma pessoa que sempre esteve tão perto e eu não dava a devida atenção... Por alguém que eu já conhecia, mas comecei a descobrir coisas novas que não pude observar antes por pura falta de atenção... Por alguém que merece o meu amor muito mais do que qualquer outra pessoa: Este sou eu! Estou num caso de amor comigo mesmo e, por isso, quero sair de lua de mel. Em breve eu desapareço, pra voltar depois...

segunda-feira, abril 30, 2007

QUASE TOCAR


Quando aquela estrela desgarrar
do negro azul e vier despedaçar,
lembra que ainda há uma mão pra agarrar.
E que, no mais, não há nada de mais...
O sol abre manso as cortinas
com saudade da pele do rosto
num afago que se encerra em paz.
E do pouco que restou no bornal,
sobra a certeza que não é preciso muito
para ser genuinamente feliz.
Poucos sabem olhar o céu e se lambuzar de luz,
tocar a grama e se encher de sol,
beber a água e saciar a vida...
E antes da estrela sair de lá,
lembra que alguém a colocou só pra se ver...
Pois é na mansidão que a mão alcança
aquilo que há de mais difícil de se tocar...

VELHO BAÚ


Guardo todas as coisas, porque não quero fazer bagunça agora... Tiro quase tudo de cena, que preciso de algumas coisas, afinal... Deixa o resto bem guardado. Que os baús servem pra isso mesmo: fica aí, que eu chego um dia pra saber que ainda está tudo aqui. Lembranças...

VAMOS TOCAR NOSSAS CANÇÕES


-O que?
-Fala mais alto!
-Não tô te ouvindo...
-Desculpa, mas dá pra você repetir o que disse?
-Pode gritar, senão não te ouço...
-Fala pausado pra ver se eu consigo entender...
-Aumenta essa música, que esse silêncio está mesmo ensurdecedor...
-E que sejam nossas canções. As velhas, as novas e as que ainda estão por vir...

EIS O NOSSO MUNDO...


Abro os olhos e estou perdido. Que diabos de lugar é esse? Olho ao redor assustado e vejo o céu amarelo, às vezes verde e outra hora branco. Tudo em volta em tons pastéis. Uma música soa ao longe. Eu conheço, mas já faz tempo... Quero voltar, mas pra onde vou? Um menino me mostra o caminho. Estrada de azulejos vermelhos...Vejo um coelho me seguindo. E os pombos apagam as pegadas que deixei. E virei vento. Junto com o mundo. Desde quando algum de nós existe?

SEM CONTOS DE FADAS, POR HOJE


Lá vai o cavaleiro, montado em seu alazão, com sua armadura reluzente, sua espada afiada e seu escudo sólido, salvar a princesa, mais uma vez... Ele meio sem criatividade, seguindo o instinto de fazer sempre o que sabe, sem tentar ser diferente, enfim. Com sua espada, corta o que não serve pra fazer do reino um lugar encantado: ervas daninhas de sua cabeça. Feroz, se defente batendo com o escudo. E acha que sua armadura é impenetrável, modelo de perfeição.
A princesa lá, dentro da torre, já meio entediada de esperar o príncipe encantado e aceita até mesmo um sapo... Passa os dias espando o dia em que tudo vai ser diferente... Joga as tranças, mas o príncipe não quer subir...
O cavaleiro chega na torre e ela abre as portas pra ele entrar...
Ele quer arranca-la da torre e aí ela diz que não. Percebe que só há força bruta e nenhum coração.
Venceu o cavaleiro invencível com uma arma sutil: um sorriso de luz...
E preferiu viver ao lado do pássaro que canta para ela todas as manhãs, da brisa que lhe acaricia o rosto, do cheiro de terra e mato molhados de orvalho, da luz da lua serena, do som dos rios ao longe...
E não foi feliz para sempre, porque não há nada mais chato que isso. Ela viveu uma vida normal, com alegrias e tristezas...

VESÚVIO


A casca do ovo se trinca
e revela o que havia escondido.
O que sempre esteve ali, se deixa mostrar.
O vesúvio volta a vida e ruge
por dentro, antes de cuspir e despedaçar.
Sai a energia presa, sob diversas formas...
E sobra o não querer mais...
O ovo presenteia o mundo com vida.
E a bravura do realmente importa
ainda há de mostrar: que fica e que passa...
A essência questionada, vazia de principal.
Aceitar o que é, palavra sublime,
compreender o além, sem se machucar, se entregar...
Viver o sentido e começar a enxergar.
O amor, amigo, que não exige, respeita e
não semea a dúvida passa cego entre nós.
Quem, no mundo de hoje, quer lhe dar atenção?
Não se (me) enganem, senhores: ninguém...
Nun laço massante, amigos e amantes
usam arco e flecha de vento.
Ninguém é culpado, o crime é de todos.
Eu não sei, ninguém sabe, ao menos, acertar...
O vesúvio acordou! Deixa escapar...
O que faz forte a energia é o soterrar...
Eu e Vesúvio. Enfim, irmãos!

CAI, CAI, BALÃO...


Meu pé sobre a linha curva suspensa, longe do chão.
No circo do infinito, pendo pra cá, quase tombo pra lá...
O trapezista, minha gente, já não se importa mais em cair
desde que as redes não sejam assim, piores que o chão.
suspenso o riso, balança no alto, às vezes é choro.
porque claro e escuro, afinal, fazem parte de um só dia!
E entre desequilíbrio e desenvoltura, anda e vai.
Que, de repente, se tromba com os aplausos...
Enquanto se busca o centro de gravidade,
tento lembrar da letra da canção infantil...

VOCÊ PRECISA...


Doce revelar, pouco a pouco, a luz
de um sorriso que sai como os raios de sol
por entre as folhas das árvores.
Os olhos falam e os ouvidos ouvem
a música calma que não tocou...
Do que eu sei e o que eu não sei,
só sei que preciso e você precisa...
Existe um raio de luz no meio
dessa noite toda... A Lua!
Uma mão pra segurar e, quem sabe,
dominar o mundo em uma só noite. Feliz.