
Vou dançar com a chama do teu isqueiro,
pois num afago, começa o ritual.
Sacrifício do recalque, para que nasça o homem sacana,
o homem vontade, liberto de si.
Sem perder a ternura, forte.
E bailar contigo, pra fazer chover em ti.
Num frenesi louco de arrancar suspiros.
De sentir tua pele macia retalhando a minha pele rude.
De sentir minha barba contornar tuas curvas.
De meu lábio saciar em teus lábios.
Minhas mãos agora são o teu lar.
E me afogo em teus seios,
nos teus beijos, na malícia de sua língua...
Eu sou o gás, você é a faísca.
Deixa eu apagar o incêndio com um pouco de gasolina.
Fazer a Lua crescer, até o Sol raiar.
Deixar a insanidade nos guiar, profana.
Num jogo de olhos, língua, dedos e o que mais for.
E num roupante crescente, quase te engolir.
O teu gosto é todo meu.
Até o tremor do deleite ser teu e meu.
Até a fisionomia mudar. Satisfeita.