terça-feira, maio 20, 2008

IMAGEM ENQUADRADA


Olhando pelo vidro enquanto você dorme em meu ombro, penso que o mundo é um filme mudo em que somente eu posso falar...

sábado, maio 03, 2008

PEQUENO ANÚNCIO

Vende-se uma caixinha de mágoas, muito resistente, ornada com afinco por mim e pelo tempo, mas que eu já não preciso mais...

CÉU CLARO

Nada de criar tempestades, meu amor. Meu lema hoje é desanuviar!

ÁVIDO

Mais de uma vez caminhei no deserto e fiquei assim, ávido. Sedento de uma sede que me faça sentir a vida pulsando ainda em mim.
Mas não uma sede qualquer: uma que me vem em forma de melodia numa noite coalhada de estrelas, risos e cores azul-carmim.

PORTA DE ENTRADA

O senhor gordo na porta do salão estava sorrindo sozinho. Eu o conhecia de outros tempos. Ele
até me confessou, certa vez, que gostava de ficar sozinho. Falou-me, cheio de dedos mas tentando disfarçar o seu receio, que ficar só lhe fazia muito bem, às vezes...
Contou-me que havia dias em que ele mesmo chegou a inventar compromissos para sair de casa e foi-se sentar só por horas no banco de uma pracinha em um bairro afastado. Disse-me, também, que ultimamente intencionava escapar do mundo que o cercava, por uns tempos, tomando um ônibus sem destino certo ou algo do tipo. Pude perceber que ele só revelou-me tudo isso após certificar-se de que eu não demonstrava nenhum ar de reprovação ao ouvi-lo afirmando o gosto por momentos de isolamento.
Aquelas risadas solitárias na porta do salão fizeram-me sentir feliz pelo senhor que, sozinho, descobriu como ser feliz consigo mesmo.

terça-feira, abril 29, 2008

ABRINDO ESPAÇO


Espaço reservado para protestos contra o mundo

TATEANDO O ESPELHO

Exercício de abrir os olhos. E agora? O que vejo?
Eu tão incoerente. Adoeço-me tentando me curar. Como uma febre que mata tentando matar o mal que me mataria...
Eu tão antagônico como a Física. Como uma luva que recebe a força do próprio soco em si mesma...
Eu tão estranho, que nem me reconheci.

terça-feira, abril 22, 2008

PROGRESSÃO





O dia amanhece
, o Sol sobe e cresce mais e mais.
Prossigo valente mirando o poente calmo do cais.

MINHA IDADE

Mergulho na fonte. Pasmo de tonturas, escuto o Sol dizer algo além do que podem as palavras dizer. Eu quase adulto.
Observo o monte. De baixo, atento. Confuso de certezas, enxergo aquele cheiro de bolo de trigo que há muito não vejo o forno fazer. Eu quase um velhinho.
Tombo na grama. Insano de autocontrole, ouço o vermelho repetidamente de lábios úmidos, enquanto passeio de leve em teu jardim. Eu quase menino.
Sem fim.

terça-feira, abril 15, 2008

PÉ DE CACHIMBO


Um jardim só de margaridas.
Ou de Hortências.
Meu parque e minha praça
tem hoje um nome só:
Liberdade!

FRAÇÃO DE LUZ

A alegria,
agressiva e cheia de lascividade,
estupra e pousa sobre o chão onde piso,
quando entra um raio de luz por entre as frestas
ou enquanto tem o soriso de uma flor.

HIPERLINK

Elétrico, programo-me para outra data, em tempo real, antes do tempo.
Eu me rasgo, carrasco do meu prazer de converter em códigos eletrônicos uma maneira de me conectar e arremessar ao teu encontro o coração: "Boa noite!"

O BANHO DA RELVA

Quando os sinos dobram
pelo astro que morre
teu cálice guarda cada gota
do choro das estrelas.
Neste berço suave,
dormem os sonhos da fonte,
enquanto a aurora não vem.